terça-feira, 3 de maio de 2011

Quando cai um símbolo


O terrorismo não nasceu em 11 de setembro de 2001. Ainda assim, para grande parte do mundo, particularmente para a população americana, foi nessa data que a palavra passou a integrar nosso vocabulário. Quase uma década depois, a principal imagem associada à a organização terrorista Al-Qaeda, Osama Bin Laden, e à destruição do World Trade Center foi declarado morto numa ação de soldados especiais dos EUA no Paquistão.

Logo no início do governo de Barack Obama já se deram dois os acontecimentos marcantes, a crise econômica foi o primeiro deles, mas muito provavelmente este, a morte do “grande inimigo” dos americanos, será o de maior influência sobre toda a duração do mandato do presidente. Afinal de contas, os Estados Unidos não foram o mesmo país após 11/9 e, olhando para as centenas de americanos que comemoravam a morte de Bin Laden em frente à Casa Branca, é quase possível se convencer de que esta ação será a responsável por trazer toda uma nação de volta à posição com que já estava acostumada. A potência internacional, democrática e capitalista da América.

Isso não vai acontecer. O dano causado não apenas à posição dos EUA, mas à sua consciência nacional, não será desfeito com a morte de um homem. Uma população que presenciou eventos como os do fatídico 11/9 dificilmente voltará a enxergar a si mesma ou ao resto do mundo da mesma forma que antes, livre da ameaça do terrorismo – e nisso, os americanos não estão sozinhos. A morte de um homem não vai mudar o passo em que o mundo se encontra e não fará desaparecer o terrorismo da noite para o dia. Afinal, Bin Laden era apenas um homem entre muitos que partilhavam de sua ideologia. Da mesma maneira que Barack Obama é apenas um homem, mas um homem à frente do país que matou o maior símbolo do terrorismo. E isso, da mesma maneira que a morte de Bin Laden, trará repercussões. Afinal, não há nada mais importante que a imagem. Seja ela boa ou ruim.


Outro exercício de editorial para Impresso III... Me pareceu mais atual e bem escrito que o anterior, ao menos, o que vocês acham? Estou sentindo que isso de por os textos de Impresso no blog vai se tornar constante... Espero incentivar boas discussões : )

3 comentários:

Uiberon disse...

Apesar de estar sendo veiculada por todo o mundo, eu, como uma pessoa descrente do governo americano em geral (Obama is a good guy, but is beyond him), ainda tenho uma pontinha de dúvida sobre a notícia dele estar morto.
Mas mesmo que não estivesse, não faz diferença, nunca fez, nenhum terrorista "que se preze" vai dizer: "Eita, morreu... Parou, quero mais não ser terrorista". O terrorismo não vai parar... Não assim. Mas deixa, deixa os americanos terem essa ilusão e ficarem retardadamente felizes.
Adorei o texto, texto bom parece que flui né... Li em uma piscada de olho. Parabéns pela fluidez e pelas opiniões fortes (bah), jornalista perfeita aí (Não me mate, lud).

Marco Fischer disse...

É muito divertido ver a nação mais poderosa do mundo, que se considera a terra da liberdade e democracia, festejar a morte a sangue frio de um homem.

No 4 de julho e 11 de setembro provavelmente veremos ainda mais festejos, junto com dezenas de filmes sobre a morte do grande vilão dos EUA.

É interessante também pensar como eles fizeram isso afinal, ainda não entendi qual é a do troque de não quererem mostrar o corpo. Se simplesmente fosse porque não mataram, o Osama já teria se pronunciado naquele vlog nas cavernas dele. Não vi sequer um pronunciamento da Al-Qaeda anunciando vingança. Ou tem mais coisa aí, ou eles deram um jeito de bloquear toda informação da rede terrorista.

Enquanto isso Obama sente o clamor da glória (ou não). A inteligência americana não é tão simples, e com certeza haverão próximos capítulos nessa história, vamos ver.

Ludmila disse...

/\ por que eu mataria o Uiberon? XD'

Pois é... Todo mundo disse tudo o que precisava. Nem sei o que comentar aqui. Acho que é porque o assunto já ficou velho...

Ego de americano é uma coisa previsível e nojenta.